
O prefeito de São Luís, Eduardo Braide, tem sido alvo de críticas após utilizar o gabinete oficial da Prefeitura para fins de articulação política e promoção pessoal.
De acordo com informações publicadas pelos próprios aliados, o gestor municipal tem recebido, com frequência, vereadores de outras cidades no espaço institucional da Prefeitura, como é o caso do vereador de Imperatriz, Ricardo Seidel, pré-candidato a deputado estadual e o vereador Lucas Alves, de Açailândia, que é pré-candidato a deputado federal. Braide também recebeu o delegado César Ferro, filiado ao PSD e pré-candidato a deputado estadual.
A prática levanta questionamentos sobre a finalidade desses encontros, já que, segundo as próprias postagens dos vereadores, não há clareza sobre pautas administrativas ou institucionais que justifiquem as reuniões. Inclusive, o vereador Ricardo diz que o objetivo do encontro é para “reorganização partidária”.

Outro ponto que chama atenção é o contraste com a relação com o Legislativo Municipal. Vereadores de São Luís relatam dificuldade de acesso ao prefeito, o que intensifica as críticas sobre a prioridade dada a lideranças de fora do município.
Especialistas em administração pública destacam que o uso de estruturas oficiais deve seguir princípios constitucionais, como legalidade, moralidade e, principalmente, impessoalidade. Isso significa que o espaço público não pode ser utilizado para promoção pessoal, atividades partidárias ou articulação política com interesses privados.

A legislação permite que prefeitos recebam representantes políticos, inclusive de outras cidades, desde que os encontros tenham como objetivo tratar de interesses institucionais do município, como parcerias, convênios ou captação de recursos. No entanto, quando há desvio de finalidade, a conduta pode ser interpretada como uso indevido da máquina pública.
Caso seja comprovado que o gabinete está sendo utilizado para fins eleitorais ou de promoção pessoal, o prefeito pode responder por improbidade administrativa, o que pode resultar em sanções como multa, perda da função pública e suspensão dos direitos políticos.